Açúcar, um doce veneno

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Texto extraído do livro: Anticâncer de David Servan- Schreiber

Se os cânceres são mais frequentes no Ocidente, e se eles vêm aumentando desde 1940, convém examinar o que mudou nos nossos países depois da guerra.

Três fatores cruciais abalaram nosso meio ambiente em cinquenta anos:

1. O aumento considerável do consumo de açúcar;

2. A transformação da agricultura e da criação de animais, e consequentemente de nossos alimentos;
3. A exposição a múltiplos produtos químicos que não existiam antes de 1940.
Não se trata de uma evolução sem importância. Tudo nos leva a crer que esses três fenômenos da sociedade estão envolvidos no desenvolvimento dos cânceres. Para nos protegermos dele, tentemos primeiro compreendê-los.
Redescobrir a alimentação de antigamente
Nossos genes se constituíram há muitas centenas de milhares de anos na época em que éramos caçadores e colhedores.  Eles se adaptaram ao meio ambiente de nossas ancestrais, e especialmente às suas fontes de alimentos. Só que nossos genes evoluíram muito pouco e, hoje como ontem, nossa fisiologia espera uma alimentação semelhante à que tínhamos quando comíamos os produtos da caça e da colheita: muitos legumes e frutas, de tempos em tempos algumas carnes ou ovos de animais selvangens, um equilíbrio perfeito entre ácidos graxos essenciais (ômega-6 e ômega-3) e muito pouco açúcar ou farinha ( a única fonte de açúcar refinado para os nossos ancestrais era o mel, sendo que eles não consumiam cereais).Hoje, os estudos nutricionais ocidentais revelam que 56% de nossas calorias provêm de três fontes que não existiam no momento em que nossos genes se desenvolveram:

– os açúcares refinados (açúcar de cana, de beterraba, xarope de milho, de frutose etc.);
– as farinhas brancas (pão branco, massas brancas, arroz branco etc);

– os óleos vegetais (soja, girassol, milho, óleos hidrogenados).

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Contudo, essas três fontes não contém nenhuma proteína, nenhuma vitamina, nenhum dos minerais, nenhum dos ácidos graxos ômega-3 essenciais às funções do organismo. Por outro lado, parece que de fato elas alimentam diretamente o crescimento do câncer. Vejamos como:

O câncer se nutre de açúcar

O consumo de açúcar refinado conheceu uma verdadeira explosão. Nossos genes se desenvolveram em um contexto nutricional no qual consumíamos apenas 2 kg de açúcar refinado por ano e por pessoa. No entanto, passamos a 5kg por ano em 1830 e alcançamos o nível espantoso de 70 kg por ano no final do século XX.

ImagemO biólogo alemão Otto Heirich Warburg recebeu o pemio Nobel de medicina por ter descoberto que o metabolismo dos tumores cancerosos era amplamente dependente de seu consumo de glicose ( a forma tomada pelo açúcar no corpo, uma vez digerido). De fatom o scanner PET ( tomografia por emissão de pósitrons), normalmente utilizado para detectar cânceres, não faz senão medir as regiões do corpo que consomem mais glicose. Se uma região se distingue das outras por consumo excessivo, há uma forte probabilidade de que se trate de um tumor.

Quando ingerimos açúcar ou farinhas brancas, que fazem subir rapidamente a taxa de glicose no sangue (são alimentos de “índice glicêmico elevado”), nosso corpo libera imediatamente uma dose de insulina para permitir que a glicose penetre nas células. A secreção de insulina é acompanhada da liberação de uma outra molécula, chamada IGF (insulin-like growth factor), cuja característica é estimular o crescimento das células. Em suma, o açúcar nutre e faz os tecidos crescerem rapidamente.

Paralelamente, a insulina e o IGF têm também como efeito comum dar uma chicotada nos fatores de inflamação, agem como ADUBOS a favor dos tumores.

Sabe-se hoje em dia que os picos de insulina e a secreção de IGF estimulam diretamente não apenas o crescimento das células cancerosas, mas também sua capacidade de invadir os tecidos vizinhos. Mais ainda, pesquisadores que inocularam células de câncer de mama em camundongos mostraram que eles regiam muito pior à quimioterapia quando o sistema insulina estava ativado pela presença de açúcar. Eles concluíram que será preciso desenvolver uma nova classe de medicamentos contra o câncer: os que vão permitir reduzir os picos de insulina e de IGF no sangue, porém todos já podem começar a reduzir em sua alimentação as ingestões de açúcar refinado e farinhas brancas. Está demonstrado que a simples diminuição age muito rapidamente sobre a taxa de insulina e de IGF. As consequências são bem depressa visíveis, como, por exemplo, na pele, que fica muito mais saudável.

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