O que é uma falácia?

ImagemTexto enviado pelo  Felipe Skarf, agradecemos a permissão para divulgação.

“Todos nós conversamos às vezes com pessoas que nos irritam ou aborrecem. Neste caso, procure concentrar-se no assunto em discussão. Afinal de contas, os fatos são impessoais. Se você procurar honestamente assumir uma atitude generosa e tolerante, aprenderá a conversar muito melhor. ”

“A maioria de nós não consegue parar de falar pra ouvir. Normalmente enquanto uma pessoa está falando, as outras estão esperando sua vez de falar e não prestam atenção às respostas das outras pessoas.
Fazer muitas perguntas significa que você está pronto para ficar a maior parte do tempo ouvindo as respostas e analisando as palavras das pessoas e isso requer desprendimento. Mas a recompensa é fantástica!”

“Cuidado com as palavras! Cuidado com o que você ouve, lê ou escreve. Você não deve acreditar em tudo o que ouve ou lê. Você deve ter habilidade para lidar com discursos, com textos, com o que lhe dizem, com argumentos que lhe apresentam nos debates do dia-a-dia. Deve distinguir o que o vulgo confunde. Deve ter critérios para aceitar ou rejeitar enunciados, argumentos, declarações feitas. Muitas carecem de fundamentação.
São ardilosas. Enganadoras. Fraudulentas. Falsas. Falaciosas.”

“Sofismo é o argumento ou raciocínio falso ou capcioso, feito de má fé, e com o qual se pretende enganar o adversário.
Por meio de sofismos é possível manipular a multidão , os pequenos grupos e indivíduos conforme as circunstancia. Aqueles que usam a engenharia social como formas de invasão utilizam com freqüência os sofismos.
Paralogismo que se distingue do sofismo por significar um erro de raciocínio cometido de boa fé.”

Falácia é, pois, todo o raciocínio aparentemente válido, mas, na realidade incorreto, que faz cair em erro ou engano.

Tradicionalmente, distinguem-se dois tipos de falácias: o paralogismo e o sofismo. O paralogismo é uma falácia cometida involuntariamente, sem má-fé; o sofismo, uma falácia cometida com plena consciência, com a intenção de enganar.

Essa distinção não é, no entanto, aceitável, pois introduz um critério exterior à lógica – a ética. Dito de outro modo, não compete à lógica apreciar as intenções de quem argumenta. Por isso, tornam-se como sinônimos os termos falácia e sofismo.

A seguir, apresentam-se os principais tipos de falácias:

Apelo à Força (argumentum ad baculum)

Definição:
Consiste em ameaçar com conseqüências desagradáveis se não for aceita ou acatada a proposição apresentada.

Exemplo:
– Você deve se enquadrar nas novas normas do setor. Ou quer perder o emprego?
– É melhor exterminar os bandidos: você poderá ser a próxima vítima.
– Cala essa tua boca, ou não te dou o dinheiro para o show.
– Ou nós, ou a desgraça, o caos.

Contra-argumentação:
Argumente que apelar à força não é racional, não é argumento, que a emoção não tem relação com a verdade ou a falsidade da proposição.

*Falso Dilema*

Definição:
Consiste em apresentar apenas duas opções, quando, na verdade, existem mais.

Exemplos:
– Brasil: ame-o ou deixe-o.
– Você prefere uma mulher cheirando a alho, cebola e frituras ou uma mulher sempre arrumadinha?
– Você não suporta seu marido? Separe-se!
– Quem não está a favor de mim está contra mim.

Contra-argumentação:
Simples. Mostre que há outras opções.

*Ataque à Pessoa *

Definição:
Consiste em atacar, em desmoralizar a pessoa e não seus argumentos. Pensa-se que, ao se atacar a pessoa, pode-se enfraquecer ou anular sua argumentação.

Exemplo:
– Não dêem ouvidos ao que ele diz: ele é um beberrão, bate na mulher e tem amantes.
Observação: Uma variação de “argumentum ad homimem” é o “tu quoque” (tu também): Consiste em atribuir o fato a quem faz a acusação. Por exemplo: se alguém lhe acusa de alguma coisa, diga-lhe “tu também”! Isso, evidentemente, não prova nada.

Contra-argumentação:
Mostre que o caráter da pessoa não tem relação com a proposição defendida por ela. Chamar alguém de corrupto, nazista, comunista, ateu, pedófilo, etc. não prova que suas idéias estejam erradas.

*Depois Disso, logo por Causa Disso*

Definição:
É o erro de acreditar que em dois eventos em seqüência um seja a causa do outro. No extremo, é uma forma de superstição: eu estava com gravata azul e meu time ganhou; portanto, vou usá-la de novo.

Exemplo:
– O chá de quebra-pedra é bom para cálculos renais. Tomei e dois dias depois expeli a pedra.
Observação: uma variação deste sofismo é o chamado “non sequitur” (não se segue, “nada a ver”) em que uma conclusão nada tem a ver com a premissa: Venceremos, pois Deus é bom. (Deus é bom, mas não está necessariamente a seu lado; os inimigos podem dizer a mesma coisa).

Contra-argumentação:
Mostre que correlação não procede: o fato de que dois eventos aconteçam em seqüência não significa que um seja a causa do outro. Diga que pode ter sido apenas uma coincidência.

*Apelo à Misericórdia, à Piedade*

Definição:

Consiste em apelar à piedade, à misericórdia, ao estado ou virtudes do autor.

Exemplo:
Ele não pode ser condenado: é bom pai de família, contribuiu com a escola, com a igreja, etc.

Contra-argumentação:
Argumente que se trata de questões diferentes, que o que é invocado nada tem a ver com a proposição. Quem argumenta assim ignora a questão, foge do assunto.

*Falácia da Ignorância*

Definição:
Consiste em concluir que algo é verdadeiro por não ter sido provado que é falso, ou que algo é falso por não ter sido provado que é verdadeiro.

Exemplos:
– Ninguém provou que Deus existe. Logo, Deus não existe.
– Não há evidências de que os discos voadores não estejam visitando a Terra; portanto, eles existem.

Contra-argumentação:
Argumente que algo pode ser verdadeiro ou falso, mesmo que não haja provas.

*Apelo ao Povo *

Definição:
Consiste em sustentar uma proposição por ser defendida pela população ou parte dela. Sugere que quanto mais pessoas defendem uma idéia mais verdadeira ou correta ela é. Incluem-se aqui os boatos, o “ouvi falar”, o “dizem”, o “sabe-se que”.

Exemplo:
Dizem que um disco voador caiu em Minas Gerais, e os corpos dos alienígenas estão com as Forças Armadas.

Contra-argumentação:
Os educadores, os professores, as mães têm o argumento: se todos querem se atirar em alto mar, você também quer? O fato de a maioria acreditar em algo não o torna verdadeiro.

*Apelo à Autoridade*

Definição:
Consiste em citar uma autoridade (muitas vezes não – qualificada) para sustentar uma opinião.

Exemplo:
Segundo Schopearhauer, filósofo alemão do séc. XIX, “toda verdade passa por três estágios: primeiro, ela é ridicularizada; segundo, sofre violenta oposição; terceiro, ela é aceita como auto-evidente”. (De fato, riram-se de Copérnico, Galileu e outros. Mas nem todas as verdades passam por esses três estágios: muitas são aceitas sem o ridículo e a oposição. Por exemplo: Einstein).

Contra-argumentação:
Mostre que a pessoa citada não é autoridade qualificada. Ou que muitas vezes é perigoso aceitar uma opinião porque simplesmente é defendida por uma autoridade. Isso pode nos levar a erro.

*Apelo à Novidade*
Definição:
Consiste no erro de afirmar que algo é melhor ou mais correto porque é novo, ou mais novo.

Exemplo:
Saiu a nova geladeira Pólo Sul. Com design moderno, arrojado, ela é perfeita para sua família, sintonizada com o futuro.

Contra-argumentação:
Mostre que o progresso ou a inovação tecnológica não implica necessariamente que algo seja melhor.

*Apelo à Antiguidade*
Definição:
É o erro de afirmar que algo é bom, correto apenas porque é antigo, mais tradicional.

Exemplo:
Essas práticas remontam aos princípios da Era Cristã. Como podem ser questionadas?

Contra-argumentação:
Argumenta que o fato de um grande número de pessoas durante muito tempo ter acreditado que algo é verdadeiro não é motivo para se continuar acreditando.

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