15 coisas que você não sabia sobre “DESINFORMAÇÃO”

Texto adaptado do livro:

DESINFORMAÇÃO COMO OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO OCULTAM O MUNDO – PASCUAL SERRANO (clique aqui para fazer o download).

Por hábito, ou por preguiça intelectual, continuamos pensando que a censura só é exercida pelos governos autoritários, as ditaduras que praticam na de forma ostensiva, muito visível, amputando, proibindo, cortando, suprimindo, truncando, cerceando. Em resumo, mutilando e deixando uma obra, ou informação, castrada e desmembrada. Negamo-nos a pensar no problema de saber como funciona  a censura na democracia. Partimos do princípio de que a censura é própria da ditadura, e não da democracia. Quando, na realidade, há que se partir do princípio de que a censura é própria do poder, de todo poder.

É necessário que se pergunte quais são os mecanismos da censura na democracia. Porque o que é óbvio é que a censura já não funciona por restrição, por amputação ou por supressão, como nos países onde se mata ou se aprisiona jornalistas, ou se fecha um jornal, ou são cortadas as notícias etc.

Nas grandes democracias desenvolvidas, com vexatórias exceções, isto praticamente já não acontece. O que ocorre sim, é que há muita informação que não circula, porque há superinformação. E há tanta que a própria informação nos impede – como um biombo ou uma barreira – de acessar a informação que nos interessa.

Family Watching TV Together

Nas ditaduras é o poder que nos impede de acessar a informação. Na democracia é a própria informação, por saturação, o que nos impede. ou seja, na democracia a censura funciona por asfixia, por engasgamento, por entupimento.  É  tanta informação oferecida, e consumimos tanta informação, que já não percebemos que alguma (exatamente a que mais se precisaria) não está presente.

A ocultação e a dissimulação, nessa massa de informação que se consome, são as formas da censura de hoje. E essa “censura invisível” é a que é praticada pelos grandes grupos midiáticos e pelos governos. Com total impunidade. Estamos então em uma situação na qual cremos que, pelo fato de haver mais informação, temos mais liberdade, quando, na realidade, se analisamos bem, temos tão escassa informação quanto em outros momentos. O poder dos meios de comunicação e sua influência na opinião pública estão esvaziando de sentido a democracia. É uma questão que hoje é enfocada em muitas sociedades. Por exemplo, quando votamos, votamos livremente? É o livre arbítrio que me leva a votar em fulano ou beltrano? Ou, na verdade, é porque colocaram na minha cabeça uma série de idéias que fazem com que eu, como uma marionete, vote a partir do que me disseram? Como bem diz Noam Chomsky: “Em nossas democracias, um presidente é um produto do sistema de construção midiática de candidatos”. A indústria das relações públicas, que promove a venda de candidaturas da mesma forma que vende mercadorias, dá o seu prêmio anual, na categoria melhor marketing, à marca fulano. Esse sistema é claramente não democrático: um tipo de “ditadura por eleição”, uma construção política na qual o povo contempla a  ação e não é protagonista.

politico

Sabemos que a invasão do Iraque foi feita sob falsos pretextos que deram lugar a mentiras de Estado. O próprio presidente democraticamente eleito de um governo democrático divulgou informações falsas, sabendo, além disso, que eram falsas. E todos os meios dominantes repercutiram essa informação falsa, enganando assim a milhões de cidadãos.

Isto é algo possível de se imaginar em ditaduras ou em regimes autoritários, mas parecia inconcebível num país dito como democrático, com o apoio dos meios de comunicação, fazer essa gigantesca manipulação com as consequências trágicas que isso supôs. Por isso existe uma sensibilidade particular com relação a este problema da informação, e há cada vez mais exigência para que adotemos algum sistema que permita termos garantias sobre as notícias que consumimos.

Até os dias de hoje, se confiou nos jornais como porta-vozes da opinião pública. Entretanto, muito recentemente, alguns de nós nos convencemos, de uma forma súbita e não gradual, de que eles não são isso de modo algum. São, por sua própria natureza, os brinquedos de alguns poucos homens ricos. o capitalista e o editor são os novos tiranos que se apoderaram do mundo. Já não faz falta que ninguém se oponha à censura da imprensa. Não precisamos de uma censura para a imprensa. A própria imprensa é a censura.

Os grandes acontecimentos do mundo estão todos os dias presentes nos meios de comunicação: a guerra do Iraque, a situação no Afeganistão, o conflito israel-palestino, o debate sobre a construção europeia, a emigração africana, as eleições americanas… Entretanto, poucos dos leitores ou dos públicos dos grandes meios de comunicação poderiam interpretar as origens do conflito palestino, os elementos fundamentais da violência no Iraque, o funcionamento eleitoral dos Estados Unidos ou o conteúdo do tratado de Lisboa.

Nos jornais e nos noticiários de televisão, cozinha-se de uma maneira muito ruim, mas nossa sociedade devora o alimento-lixo com total alvoroço. E com a maior impunidade. Não há inspeção sanitária informativa, nem dos noticiários é exigida uma etiqueta na qual sejam indicados seus ingredientes ou a sua elaboração, e nada garante que a dose de notícias que ingerimos fora contrastada de maneira adequada.

Assim interpretava a professora de jornalismo da Universidade rey Juan Carlos, Concha mateos.

ASSIM FUNCIONA O MODELO

– Quando uso uma palavra – disse Humpty dumpty –, ela significa exatamente aquilo que eu quero que signifique, nem mais nem menos.

– A questão – ponderou Alice – é saber se o senhor pode fazer as palavras dizerem coisas diferentes.

– A questão – replicou Humpty dumpty – é saber quem é que manda… é só isso.

Diálogo entre Alice e Humpty dumpty, lEWIs CArroll, Alice no país das maravilhas, 1865.

A maior parte das notícias que nos chegam é elaborada em resumo, sem crítica e sem contrastá-las, algo que uma fonte interessada contou aos jornalistas. Isto é, o jornalista – em geral muito mal pago, não especializado, com grande pressão de tempo e um contrato precário, com medo de perder o seu emprego – vai a algum lugar informado por alguém que tem interesse em que algo seja conhecido: toma nota do que lhe é contado, muitas vezes não pode fazer perguntas, resume o que é mais chamativo e fácil de entender, e com isso elabora a notícia. se é mentira, não saberá e nem terá tempo de comprovar antes que a notícia seja divulgada.

Na opinião da socióloga Angeles Díez, uma das autoras do livro manipulação e meios de comunicação na sociedade da informação, o sistema dominante não exige ao menos a manipulação, basta esse “recorte da realidade” que nos oferecem como verdade única, e o fato de que foram desaparecendo os espaços de interação social (centro de trabalho, locais de reunião, espaços coletivos), de forma que o cidadão se encontra apenas diante da televisão, do rádio e do jornal.

COMO AS INFORMAÇÕES SÃO SELECIONADAS

Todos os dias, cerca de 4.000 notícias chegam às redações dos grandes meios de comunicação. Como os executivos da mídia decidem o que vão nos informar sobre cada região do mundo? Por que algumas vezes aparecem notícias contraditórias e outras vezes todos se repetem em monocórdio?

A escolha das notícias é o argumento mais contundente para lembrar que não existe a neutralidade nem a imparcialidade informativa. Quando um jornal escolhe para sua capa uma denúncia da Anistia Internacional ou o casamento de um membro de alguma monarquia europeia, por mais aparentemente objetiva que seja a sua apresentação, está tomando uma determinada posição. Por isso, nossa primeira missão deve ser averiguar o mecanismo de seleção das notícias.

A melhor análise a esse respeito procede do linguista estadunidense Noam Chomsky e do economista e analista de meios de comunicação Edward s. Herman, em seu livro conjunto os guardiões da liberdade. Nessa obra, os autores nos apresentam o que denominam “filtros”, isto é, “os lugares de difícil trânsito através dos quais o dinheiro e o poder filtrarão as notícias até deixá-las prontas para sua publicação, excluirão as discrepâncias e permitirão que o governo e os interesses privados dominantes difundam uma mensagem adequada para o público”. trata-se de filtros que nem ao menos os trabalhadores da informação têm consciência de sua existência. Estão convencidos, na maioria, que trabalham com imparcialidade e objetividade.

Voltemos aos filtros, mecanismos através dos quais se determina o que é notícia e o que não é, o que se supõe que nos interessa e do que falaremos enquanto tomamos café com nossos companheiros de trabalho, o que os especialistas denominam de agente setting. Não se trata tanto de definir a nossa ideologia, mas de escolher quais são os temas que devem nos interessar, que é bem mais do que nos impor uma ideologia, uma vez que tal atitude supõe substituir a realidade, ainda mais num mundo em que as relações sociais têm diminuído muito em favor de nosso papel como consumidores de mídia.

Filtro I: magnitude, propriedade e orientação dos benefícios dos meios de comunicação No século XIX, a imprensa operária do reino Unido teve um papel fundamental na coesão dos trabalhadores, na sensibilização a respeito da problemática cultural, e sua capacidade de favorecer a organização e a conscientização. os governos, por mais que isso os incomodasse, não podiam tentar sufocá-la porque se arriscavam a revoltas populares. Foi em finais do século XIX e princípios do XX, quando chegou a industrialização da imprensa, que os investimentos necessários para colocar um jornal em funcionamento passaram de mil libras em 1837 a 50 mil em 1867. O Sunday Press, que surgiu em 1918, precisou de dois milhões de libras.

Esse desenvolvimento industrial conseguiu o que nenhum governo pode, que foi expulsar do panorama todos os projetos informativos que não tivessem um grande investimento por trás. os trabalhadores e os humildes perderam seu direito de coadministrar um meio de comunicação em favor das grandes fortunas.

filtro 2: A publicidade como fonte principal de receitas, voltemos ao caso da imprensa britânica no século XIX. No início, o preço de venda do jornal deveria cobrir todos os gastos de produção, como é lógico. dessa forma, as receitas dependiam apenas do número de cidadãos que compravam o jornal.

A incorporação da publicidade supôs uma receita extra para as mídias que gozassem das preferências do público destinatário da publicidade. Os jornais que conseguiam anúncios podiam se permitir ainda diminuir seu preço de venda; por outro lado, os que não atraíam anúncios eram mais caros, reduziam suas vendas, sofriam perdas ou menos benefícios para reinvestir e melhorar suas  possibilidades de venda (cor, formato atrativo etc.). Como disse Chomsky, “com a publicidade, o mercado livre não oferece um sistema neutro no qual o comprador decide finalmente.

As escolhas dos anunciantes são as que influem na prosperidade e na sobrevivência dos meios”. O que pagamos atualmente por um jornal é 50% do seu custo – exceto quando se ganha um livro ou uma peça de cozinha de brinde. Os anunciantes pagam o resto. O jornal que não tem a aprovação dos anunciantes deveria custar o dobro, supondo-se que seja comprado pelo mesmo número de pessoas, se compram menos – o que seria lógico se custa o dobro – o preço por exemplar aumenta muito mais.

A publicidade também desencadeia uma diminuição do nível cultural dos conteúdos, faz que se convoquem audiências, inclusive apelando aos elementos mais miseráveis da natureza humana. Se prestarmos atenção, comprovaremos que o que os meios vendem não é bom conteúdo informativo. Eles vendem audiência, isto é, nos vendem às agências de publicidade. Uma cadeia de televisão oferece anúncios de 20 segundos mais caros que outra porque a primeira tem como principal valor três milhões de espectadores contra um milhão da outra. Acreditamos que nos oferecem conteúdo, mas, na verdade, oferecem espectadores às empresas anunciantes; o objeto somos nós. Por isso, uma revista semanal dá de brinde um chinelo de verão que vale mais que a revista, porque assim consegue altas cifras de tiragem com as que se oferece – nos oferece – aos anunciantes: “ponha a sua publicidade aqui que tenho meio milhão de pessoas para dar esse folheto de revista”.

Mas, além disso, é falsa a afirmativa de que os anunciantes não têm ideologia.

Na primavera de 2008, na Espanha, a fábrica de cerveja Heineken e o grupo de seguros ocaso retiraram sua publicidade da cadeia de televisão La Sexta em protesto aos seus programas de humor que criticavam a Igreja. Em outras ocasiões, o orçamento milionário de um anunciante serve não apenas para se promover, mas também para assegurar-se de que não aparecerão notícias negativas sobre sua empresa.

Dificilmente encontraremos uma notícia negativa sobre El Corte Inglês na mídia espanhola, que gasta com publicidade 151 milhões de euros anuais. É fácil compreender que não podem conviver num jornal um artigo de opinião que peça a nacionalização do sistema bancário se todos os dias há anúncios do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) que, provavelmente, pode ser também acionista – ou ao menos essa mídia precisará de empréstimo de algum banco. Quando, em 2006, o governo da Bolívia decretava a nacionalização de seus hidrocarbonetos, os editoriais da imprensa espanhola eram duríssimos e coincidiam com o brinde, a cada domingo, de um item de coleção de decoração patrocinado pelo grupo Repsol.

Na América latina, as televisões a cabo funcionam vendendo espaços da programação e cada produtora deve buscar seus patrocinadores para financiar o seu programa. Quem vai encontrar empresa patrocinadora para um programa que denuncie as violações das multinacionais na Nigéria, a corrupção em Wall street ou que defenda a diminuição do consumo em busca de um modelo de desenvolvimento sustentável? Se na imprensa existe um suplemento de automóveis, é porque havia uma publicidade potencial de empresas automobilísticas; inclusive foi criada a seção de obituários quando se viu que havia mercado para a publicação de notas pagas.

O mercado exige a redução de custos, os meios devem rentabilizar ao máximo seus recursos, não podem ter jornalistas e câmeras em todos os lugares. A economia obriga-os a se concentrar nos lugares em que são produzidas as notícias importantes, onde se celebram as entrevistas coletivas e existem poderosos cujas decisões têm grande relevância.

De acordo com um estudo da Universidade Camilo José Cela, de Madri, as fontes oficiais ou institucionais representam na rádio 72,4% e, na televisão, 65,88% . E isso não é muito diferente em outros países.

De cada dez notícias televisivas das principais cadeias espanholas, oito são elaboradas com o conteúdo fornecido por um informante cujos interesses estão relacionados diretamente com o que conta a notícia.

Para os meios, é muito caro ter um jornalista durante semanas investigando um tema em comparação com a facilidade que é tê-lo reescrevendo notas de  imprensa, transcrevendo declarações públicas. A imprensa regional é o exemplo mais claro e qualquer jornalista local sabe qual é a sua rotina de trabalho: o redator chefe ou o chefe de seção repassa notas de imprensa ou convocações de coletivas de imprensa, escolhe as fontes que mais se encaixam na sua linha editorial e envia os redatores para fazer o tour com o gravador. Volta para a redação à tarde e se dedica a transcrever “o peixe” que cada uma das fontes lhe vendeu. Para a informação nacional e internacional, são observados os teletipos, são escolhidos os que se ajustam ao perfil do meio e o reproduzem. do mesmo modo, a vida política e social se ajusta perfeitamente ao modelo, os meios emitem notas de imprensa, boletins médicos sobre o estado dos famosos quando estão doentes, os políticos passam para as salas de imprensa suas posições mais do que nas instituições, e as partes dos julgamentos dão mais explicações e detalhes à mídia do que aos juízes. os jornais se transformam assim em quadros de avisos, mas com conteúdos filtrados pelos executivos.

Mas também há “peixes” e “peixes” na hora de se vender. Para o meio será mais crível e cômodo reproduzir um belo dossiê de imprensa, todo colorido com gráficos de barra e pizza, de uma importante empresa (naquele momento talvez anunciante ou acionista) que pode ser entregue talvez num suntuoso almoço de trabalho, do que uma nota de imprensa precariamente escrita por uma assembléia de trabalhadores na qual denunciam a falta de pagamento de hora-extra. Os moradores de um bairro que serão desalojados de suas residências não terão ao menos uma boa agenda de meios, com fax e correios eletrônicos para os quais enviar uma nota impoluta convocando-os para uma coletiva de imprensa em uma sala acarpetada e iluminada onde instalar as câmeras de televisão.

Devem se meter em uma briga com a polícia para que os meios se lembrem deles.

Por outro lado, os meios oficiais sempre possuem uma auréola de veracidade e neutralidade que seduz os jornalistas. Um comunicado de uma guerrilha levanta mais dúvidas sobre a autenticidade de seu conteúdo do que uma coletiva de imprensa do ministro da defesa. Ainda que ao final não deixemos de comprovar que as maiores mentiras sobre a realidade internacional saíram da sala de imprensa da Casa Branca e até terminariam sendo reconhecidas pelo ex-ministro porta-voz de Bush. Os poderosos possuem orçamentos milionários para difundir as suas informações, contratam legiões de jornalistas em seus gabinetes de comunicação, preparam imagens de arquivo magníficas que enviam às televisões e levam jornalistas encaixados para contar a sua versão. A nossa polícia convida jornalistas para suas ações, para que os acompanhem no carro de patrulha, mas o fotógrafo Clemente Bernard, que fotografou e acompanhou os grupos de kale borroka (ações de guerrilha urbana) em Euskadi foi acusado de cumplicidade com o terrorismo, assim como o câmera de Al Jazeera, sami al-Haj, que ficou encarcerado em Guantánamo durante seis anos por ter entrevistado Bin laden.

A tudo isso se deve acrescentar a infiltração de especialistas como analistas nos meios. muitos desses supostos “analistas objetivos” estadunidenses têm vínculos com as mais influentes empresas de defesa do país e representam centenas de contratados militares, seja na qualidade de consultores, executivos ou membros de seus conselhos diretivos.

Filtro 3: As “contramedidas” e corretivos diversos como método para disciplinar os meios de comunicação Importantes lobbies, fundações e grupos de poder político ou empresarial têm capacidade organizacional, financeira e política suficiente para organizar campanhas de pressão contra veículos de comunicação ou jornalistas que saem da linha dominante. É o que aconteceu durante a era McCarthy nos Estados Unidos.

Lá, existem fundações criadas com o único objetivo de iniciar campanhas de pressão contra os meios rebeldes. Há aquelas ligadas a empresas de tabaco que fazem lobby contra às acusações de doenças relacionadas ao consumo de cigarros, ou farmacêuticas que pressionam os meios que difundem notícias sobre os efeitos colaterais de medicamentos ou a ausência de valor terapêutico. Para a maioria dos meios, é mais rentável e menos problemático acatar essas pressões que enfrentar esses lobbies. O resultado é que as informações procedentes de organizações sociais pobres, grupos de trabalhadores organizados de forma precária, ou coletivos de direitos humanos com baixo orçamento não satisfazem as exigências desses filtros e são depurados dos meios de comunicação.

O QUE NOS CONTAM ACONTECE?

Os meios mentem? Sem dúvida, a mentira é frequente, mas não é excessiva porque os meios sabem que o seu abuso, à medida que muitas vezes é descoberto, faz com que percam uma credibilidade muito difícil de recuperar. Os meios não apenas tentam nos dizer o que é importante e como aconteceu, mas além disso também devem nos convencer de que acertam em sua escolha e não mentem. Portanto, se arriscam muito se a falsidade é descoberta.

jornalnacionalpoeta

Os mecanismos de desinformação e manipulação são mais complexos que a mentira grosseira. O historiador e analista de meios de comunicação michael Parenti, considera que a propaganda mais eficiente se baseia no ambiente mais do que na falsidade. Ao torcer a verdade, mais que violá-la, utilizando ênfase e outros adereços auxiliares, os comunicadores podem criar uma impressão desejada sem recorrer ao pronunciamento explícito, e sem se afastar demais da aparência de objetividade. o ambiente é conseguido mediante a forma como as notícias são envolvidas, a extensão da exposição, a localização (primeiro plano ou enterrada no interior, artigo principal ou último ), o tom da apresentação (atitude aberta ou pejorativa), as manchetes e fotografias e, no caso dos meios audiovisuais, os efeitos da imagem e do som.

O mundo dos meios se retroalimenta constantemente. A obsessão pela competitividade é tal que, em muitas ocasiões, se esquecem da realidade para se dedicar, todos ao mesmo tempo, a competir pela mesma notícia. É algo assim como a contra-programação que as cadeias de televisão fazem nos temas não relacionados com os noticiários. Todos querem explorar a mesma suposta notícia convencidos de que quem não a encontrar será cortado do pelotão. De forma que, embora em um determinado momento estejam acontecendo no mundo vários eventos, todos os meios estarão devotados ao mesmo.

Por isso, durante uma semana, uma crise de fome na áfrica ocupa a capa dos jornais e abre os noticiários de televisão e, na semana seguinte, desaparece da atualidade, como se a fome nesse país também tivesse desaparecido. Kapuscinski detalha vários casos:

A crise que teve origem em 1979 pela captura de reféns estadunidenses no teerã é um exemplo. Ainda que, na prática, não passasse nada na capital do Irã, milhares de enviados especiais vindos de todo o mundo permaneceram durante meses na cidade. A mesma matilha se deslocou, anos mais tarde, para o Golfo Pérsico, durante a guerra de 1991, apesar de nada poderem fazer porque os estadunidenses proibiam qualquer um de se aproximar da frente. No mesmo momento, ocorriam acontecimentos atrozes em moçambique e no sudão; mas isso não emocionou ninguém porque a matilha estava no golfo. Em dezembro de 1991, durante o golpe de Estado, a rússia teve direito às mesmas atenções. Enquanto os fatos realmente importantes, as greves e as manifestações aconteciam em leningrado, o mundo ignorava porque os enviados de todos os meios não saíam da capital, esperando que ocorresse algo em moscou, onde reinava uma calma absoluta18.

Pensemos nos dias que seguiram à doença que retirou fidel Castro do poder, em agosto de 2006. o governo cubano viu como dispararam os pedidos de  credenciamento para enviados especiais que esperavam uma convulsão no país. Não deixavam de aparecer analistas e reportagens sobre uma Cuba onde nada acontecia.

O resultado é que os conflitos do mundo, em seu reflexo na comunicação de massas, tão logo aparecem e ocupam as prioridades informativas como desaparecem. Tudo isso como resultado mais de dinâmicas internas dos meios e poderes interessados do que da verdadeira transcendência informativa do assunto. Txente rekondo, do Gabinete Basco de Análise Internacional (GAIN), destaca que um dos maiores conflitos silenciados pelos meios é o dos povos indígenas em qualquer parte do mundo (América latina, ásia ou áfrica são os exemplos claros). Os conflitos do chamado “primeiro mundo” também têm que sofrer uma clara distorção, sobretudo porque se são propostas mudanças estruturais que afetam as bases do sistema, este, através dos meios de comunicação, empregará todo o seu potencial para desacreditar ou ocultar as demandas desses movimentos.

É importante a tese do filósofo francês Jean Baudrillard, segundo a qual acontecimentos como os atentados de 11 de setembro supõem um “excesso de realidade”  que causam tal comoção que os cidadãos, em especial os estadunidenses, não conseguem buscar a conexão entre essa realidade e seu entendimento. Antes que possamos racionalizar de maneira serena o que ocorreu, rapidamente os meios se encarregam de nos proporcionar a interpretação, aproveitando nossa convulsão para nos oferecer a sua leitura do mundo. de um modo semelhante se pronunciava o escritor satírico e crítico austríaco Kart Graus, afirmando que “enquanto o jornalista matava a nossa imaginação com a sua verdade, ameaçava as nossas vidas com suas mentiras”.

O escritor santiago Alba relata com ironia:
“Enquanto nos distraímos vendo pela televisão como os EUA bombardeiam o Iraque, matam seus filhos e se apoderam do seu petróleo, os EUA aproveitam para bombardear o Iraque, matar seus filhos e se apoderar do seu petróleo. Ou será o contrário? Enquanto os EUA bombardeiam o Iraque, matam seus filhos e se apoderam do seu petróleo, nós nos distraímos vendo pela televisão como os EUA bombardeiam o Iraque, matam seus filhos e se apoderam do seu petróleo”.

A última razão para compreender a linha informativa dos meios procede, como em tantas coisas, de quem tem o poder no mundo. Isso é claramente  denunciado pelo escritor britânico tariq Ali:

“As sociedades da desinformação (incluídas as cadeias controladas pelo Estado, como a BBC e a ABC) formam uma camada importante do pacote imperial que oprime o mundo. A dicotomia amigo/inimigo, crente/herege apoiada pela Casa Branca e o Consenso de Washington preside a corrente dominante na  cobertura informativa dos meios.” Desta forma, “para a grande maioria dos jornalistas do ocidente, há um critério principal para avaliar um regime: não é o seu caminho no campo dos direitos humanos, mas se o Estado em questão é um amigo ou inimigo do Consenso de Washington”. Assim, como descobriremos ao longo desta obra, os direitos humanos ou a democracia se utilizam dos meios de comunicação de forma absolutamente desigual e interessada na hora de informar sobre os países. Nenhum governo respeita esses direitos de forma absoluta e nenhum sistema é uma democracia perfeita.

Criticar uns e absolver outros se transforma no tratamento desigual mais desinformador de nossos meios. Algumas denúncias sobre a violação dos direitos humanos, ainda que sejam mentiras, se transformam em injustiças tão grandes que seria algo assim como denunciar o vizinho que dá uma palmada no filho enquanto nos calamos sobre aquele que joga-o pela janela. Em outras ocasiões é muito eloquente como os meios oscilam no trato a um líder político quando ele deixa de ser crítico com o poder dominante para ser submisso, o nível de agressividade nos meios diminui de forma eloquente embora continue com as mesmas violações de direitos humanos ou fraudes eleitorais.

Há vários anos, diversos professores de comunicação estadunidenses elaboram o Projeto Censurado, mediante o qual relatam ano após ano as questões, temas e problemas que os grandes meios de informação do país apenas tratam ou ocultam descaradamente. Seu diretor, Peter Phillips denuncia que “os meios nos Estados Unidos são negócios do entretenimento. Todos os dias, o grande público sabe mais das desavenças de Britney spears ou Brad Pitt que da presença do exército dos EUA no Afeganistão ou no Iraque”. Os resultados dessa investigação de quase uma centena de professores e estudantes descrevem os 25 temas mais censurados pelos grandes meios estadunidenses. Questões que afetam de uma forma ou de outra a maioria dos cidadãos dos EUA, mas que são escamoteadas informativamente. Nesse estudo descobrimos, por exemplo, que nem o FBI nem o governo dos Estados Unidos apresentaram denúncias contra Bin Laden; que há escravos que constroem a embaixada estadunidense no Iraque, e que há mais emigrantes que vão dos Estados Unidos para o méxico do que ao contrário como destacam os meios. Disso tratam algumas das 25 investigações jornalísticas que os grandes meios de imprensa não cobriram durante 2006 e 2007, que foram publicadas em meios alternativos da internet, rádio e televisão; agora o Projeto Censurado reuniu-as num livro.

Como indicamos anteriormente, Peter Phillips também recorda que o novo poder econômico-midiático nem ao menos vende mais informação aos cidadãos, mas sim vende consumidores (audiências) às empresas publicitárias. E cria ideologia, sem dúvida. Nem tanto por mentir ao informar, mas sim porque banaliza, distorce e, sobretudo, oculta.

A sensação de fraude que se percebe nos grandes meios levou inclusive a que alguns jornalistas, mesmo desde seu mais raivoso anticastrismo, chegassem a reconhecer que, por exemplo, nos meios cubanos não submetidos à dinâmica dos ocidentais, são abordadas temáticas silenciadas nos grandes meios. Depois do anúncio da doença de Fidel Castro, a colunista de El País, maruja torres, nos conta a sua experiência como espectadora da Cubavisión já liberada, segundo ela, da onipresença de Fidel Castro:

“Por Júpiter, não seria possível que em tal cadeia pudesse encontrar informações abundantes sobre a invasão do Líbano por Israel, e por ali também, como quem não quer nada, algo sobre Gaza, algo sobre o Iraque, algo sobre o Afeganistão, chegando assim até os últimos ângulos das escavações mais recentes? Dito e feito. Conectei no canal mencionado e presenciei uma mesa redonda magistral, com informações de que somos desprovidos aqui porque nos vê diretamente influenciadas pelos lobbies sionista/fundamentalistas dos Estados Unidos.” É mais comum recorrer aos silêncios do que não interessa ou desinflar os assuntos importantes dividindo-os ou baixando o seu nível informativo. Tom Engelhardt dirige tomdispatch.com, um dos meios alternativos na internet mais lidos nos Estados Unidos. Engelhartd comentava que “a grande história desviada dos anos de Bush em Washington foi a expansão do Pentágono”. Ainda que o tema seja abordado de forma fragmentada e tangencial (aumento do orçamento militar, tráfico de armas, aumento de bases militares), nunca se apresentou com o grau de protagonismo informativo que merecia. Não se encontra isso em nenhum site! Simplesmente não aparece, apesar de ser um dos dois ou três aspectos mais impactantes do que aconteceu nos Estados Unidos nos anos de Bush.

SEM CONTEXTO E NEM ANTECEDENTES

O doutor em Ciências da Informação Vicente romano destaca que “a informação se apresenta descontextualizada, isto é, incompreensível. Alguns números são oferecidos, mas outros são calados. São apresentados determinados fatos e não
se discutem os motivos nem as condições sociais que os provocam” Ignacio ramonet considera que  “cada vez mais, o discurso, a mensagem jornalística é mais simples, mais fácil. Uma mensagem simples quer dizer que vai utilizar muito poucas palavras, um número de palavras muito limitado. Digamos que se o léxico do castelhano tem, por exemplo, 30 mil termos, cada vez mais os meios de informação vão utilizar apenas 800 palavras para que todo mundo entenda. Com a idéia de que se deve expressar de maneira muito fácil, muito simples, porque tudo o que é raciocínio complexo, tudo o que é raciocínio inteligente, fica muito complicado e sai do sistema de informação tradicional. Há uma forte vontade de simplificação, e a simplificação mais elementar é a concepção maniqueísta das coisas:  qualquer problema se transforma em um problema simples de apenas dois termos: o bem e o mal, o branco e o preto”. O resultado é que um assunto tão complexo como a geopolítica internacional, por exemplo, é interpretado nos termos de bem e de mal. Em qualquer debate já não se entra em considerações que possam acentuar a complexidade de alguma situação, a necessidade de períodos de adaptação etc. Os matizes são suprimidos. Raciocina-se digitalmente: zeros e uns. Tudo o mais é para “intelectuais”. O resultado é que “a fé na informação se dilui em muitas notícias que são esquecidas ao final de uma ou duas horas e com as quais o receptor não sabe o que fazer porque não está em condições de compreender a sua origem, o seu alcance, nem o seu significado”.

Por outro lado, a agitada dinâmica informativa que rende culto ao imediato produz no público a sensação de ter entrado num cinema com o filme começado, ou de passar a assistir uma novela cujos primeiros capítulos foram perdidos. Os conflitos ou articulações internacionais partem de antecedentes e de uma história que é omitida pela notícia quente. Se adicionarmos a isso a ausência de tantos elementos que incidem no panorama e são ignorados, que também são desconhecidos pelo próprio jornalista, o resultado é uma informação que impede que o cidadão compreenda a notícia em sua amplitude. Nossas televisões acreditam que só com a transmissão da derrubada de uma estátua de Saddam Hussein, as imagens da queda do muro de Berlim ou as confusões em uma reunião do fundo monetário Internacional estão cumprindo com a sua função social de nos informar. Nada mais distante do que se entende por estar informado. O predomínio da imagem também contribuiu para erradicar da informação os antecedentes, o contexto e o raciocínio. As cadeias de televisão enviam hoje um jornalista para os jogos olímpicos, e amanhã esse mesmo profissional informa em Situ as eleições na Libéria e, em seguida, uma assembleia de cúpula da OPEP ou o casamento de alguma realeza europeia. É impossível que esse profissional consiga todos os pontos da notícia porque, além disso, deve começar a informar poucas horas após a sua chegada ao local dos fatos. A teoria das televisões é que basta levar nossos olhos ao local da notícia e pegar com o microfone o depoimento de um indivíduo que passa por ali para compreender os acontecimentos. Confundem o testemunho ocular com a interpretação da realidade: “o objetivo não é fazer compreender uma situação, mas fazer com que assistam a um acontecimento”.

Ryszard Kapuscinski comenta um episódio, no méxico, onde se encontrou com um de seus amigos que trabalhava para as cadeias de televisão estadunidenses. Estava a ponto de filmar confrontos entre estudantes e a polícia. “o que está acontecendo, John?”, perguntou Kapuscinski a ele. “Não tenho a menor ideia.” – respondeu sem deixar de filmar. “Não faço mais que gravar; me contento em tomar as imagens; depois, as envio para a emissora, que faz o que quer com esse material”. Como dizia o jornalista argentino Ezequiel fernández-moores, “estamos informados de tudo, mas não nos inteiramos de nada”.

A LINGUAGEM

Embora deslocada pela emotividade da imagem, que permite muito mais margem para a desinformação, a linguagem continua sendo o pilar e a ferramenta básica que serve de suporte para a mensagem que é enviada aos públicos. Uma das estratégias dos meios de comunicação nas democracias, contra as ditaduras, é o uso da linguagem para aparentar informação quando se está opinando, neutralidade quando há parcialidade e distanciamento quando o meio está se envolvendo.

O sistema consiste em que o leitor tenha sempre a sensação de que está recebendo uma informação não infectada, virginal, que quase não passou pela mão humana.

Esse formato contrasta com o do jornalismo militante, a serviço de um ideário e alguns valores, cujo abuso dos qualificativos, das avaliações e a ausência de dados levou-o ao desprestígio. O modelo dominante aprendeu a importância de entrar em nossas mentes com a bandeira da imparcialidade e da neutralidade. A propaganda mais eficiente sempre é distribuída como informação, ou está oculta sob a aparência de informação, dado que as melhores técnicas de manipulação incluem que o sujeito não as perceba como tais e pense que age de acordo com seu próprio critério.

A linguagem é o que se diz, mas também o que expulsa. O catedrático de Economia da Universidade de Barcelona, Vincenço Navarro, é também professor de Políticas Públicas nos Estados Unidos. Navarro chama a atenção sobre como se reflete, na linguagem dos meios, “uma interpretação da estrutura social que assume que as classes sociais estão desaparecendo”. desta forma, “termos e conceitos como burguesia, pequena burguesia, classes médias e classe trabalhadora desapareceram praticamente da linguagem política e do jornalismo espanhol”. falar de classes sociais e de lutas de classes, por exemplo, é se transformar em objeto de zombaria, vulnerável à acusação de ser “antiquado”. Em seu lugar, destaca Navarro, a nova linguagem agrupa o cidadão conforme a sua raça, grupo étnico e/ou cultural, gênero, grupos etários e outras categorias biológicas, culturais ou étnicas.

A luta de classes foi substituída em tal linguagem pela luta entre gêneros, raças, grupos etários, grupos nacionais(,) etc. O programa de humor El Intermedio, apresentado por Gran Wyoming na emissora espanhola La Sexta, teve uma idéia magnífica, até então impensável. Dedicou-se a recolher na rua declarações dos transeuntes sobre os temas da atualidade, separando as provenientes de um bairro rico das de um bairro pobre. As respostas eram diametralmente opostas, o que confirma que muito mais importante talvez que a raça, a idade ou o sexo, na hora de diferenciar os cidadãos como grupos de opinião, era a classe social, a tal divisão já banida pelos meios de comunicação.

O abuso sobre a linguagem levou o escritor Eduardo Galeano a destacar, com sua ironia habitual, que quando dizem “missão humanitária”, deveriam dizer “missão publicitária”; quando citam “efeitos colaterais”, insinuam “benefícios colaterais”; “imperativo moral”, deveria ser entendido como “impunidade do poder”; com “erros”, se referem a “horrores” e “império da lei” é simplesmente “império”.

Michael Parenti explica o que denomina “uso arbitrário de etiquetas” por parte dos meios. Segundo a sua tese, o objetivo é formar de antemão a nossa percepção através da distribuição de uma etiqueta positiva ou negativa para as questões sobre as quais nos informam. Para os movimentos que repudiam, recorrem a etiquetas do tipo “guerrilhas esquerdistas”, “terroristas islâmicos”, “teorias conspirativas”, “gangues urbanas” e “distúrbios civis”, sem se incomodar em situá-los no contexto necessário que nos permita saber o que reivindicam ou qual é a sua forma de protesto. Os meios denominam “linha dura” os setores que resistem a acatar as linhas do poder dominante. O The New York  utilizou 11 vezes a expressão “linha dura” para descrever os dirigentes servobósnios que se opuseram ao fechamento de sua estação de rádio quando a OTAN exigiu.

O curioso é que o profissional perdeu a percepção de que o uso dessa determinada linguagem implica em adotar um posicionamento ideológico. Acredita, ainda, que renegar a ele e recorrer a um vocabulário próprio o deixaria em evidência como opinante quando deveria se limitar a informar, e é exatamente o contrário, está editorializando quando a utiliza, mas ninguém o considera assim porque é a linguagem generalizada entre a classe política dominante, as grandes agências e, em geral, de todo o modelo político-informativo vigente. Chegou se a uma situação em que questionar as afirmações do oficialismo é percebido como um trabalho ideológico inapropriado para a neutralidade informativa, enquanto que repetir as versões oficiais é sim considerado imparcialidade.

Observaremos o uso e abuso do termo “terrorista” por parte dos meios de comunicação. Embora seja compreensível que os participantes dos conflitos recorram a esse termo de forma habitual para estigmatizar o contrário, o inquietante é a facilidade com que os meios se incorporam da subjetividade que supõem em seu uso. Noam Chomsky, ao ser perguntado sobre a idoneidade do uso dessa palavra, res pondeu que os meios deveriam usá-la, mas em sua definição legítima.

Portanto, se os EUA estão cometendo o terrorismo contra a Nicarágua e são condenados pela Corte Internacional, assim deveriam cobrir, os EUA lançaram o terrorismo massivo contra Cuba, como no caso da operação mangosta, na era Kennedy, assim o descrevamos.  É evidente que o uso sugerido por Chomsky não é o habitual em nossos meios. Sem dúvida é um debate necessário e urgente. A linguagem também é utilizada para ofuscar as origens e as razões dos acontecimentos. Não apenas o discurso ignora esses elementos, mas, além disso, tenta afastá-los para que o público não tenha a tentação de perguntar sobre eles. Podemos encontrar expressões como “os combates explodiram na região”, como se fosse um processo da física, Sem nenhuma origem nem motivo; “morreram quatro pessoas nos tumultos”, mas não morreram, alguém as matou em determinadas circunstâncias que se terá que explicar, são comuns expressões do tipo “nossa economia está em crise” ou “a fome aumenta”, mas não explicam que alguém ou algo levou a essa crise e alguma razão existe para que as pessoas não tenham o que comer.

A LINGUAGEM NA ECONOMIA

A economia é uma das matérias onde o espectro ideológico dos meios é mais reduzido, cabendo apenas um modelo, o neoliberal, e isso se reflete nos seus conteúdos.

Não poderia ser de outra maneira: é esse modelo que permite aos privados ganhar dinheiro. Portanto, a linguagem que abordar questões econômicas estará repleta de intencionalidade mais ou menos oculta. Aqui encontramos a etiqueta positiva de “reforma”, que é aplicada de forma invertida uma vez que se refere às mudanças que desfazem as reformas conseguidas após décadas de lutas populares.

Como destaca Parenti, nos Estados Unidos se chama “reforma da assistência” a destruição dos programas de ajuda às famílias. No leste Europeu, denominaram de “reformas” o desmantelamento do setor público, a desindustrialização. As medidas neoliberais e as reduções nos serviços públicos impostos nos países do terceiro mundo pelas instituições de Bretton Woods, se chamam “reformas do FMI”.

Que verbo utilizaríamos para expressar a possibilidade de que um governo regule os preços abusivos das clínicas privadas quando estas aumentam seus preços cinco vezes mais que o resto dos serviços do país? Pois depende de qual governo se trata e de quem informa. Se for um governo cuja a mídia é contrária : “ Fulano ameaça regular os preços das clínicas privadas”. E ignorando a norma formal de não repetir termos no título e no subtítulo, este segundo será: “o presidente do país X ameaça nacionalizar aqueles que recusarem a medida”. O peculiar é que a notícia procedia de um teletipo da agência de notícias espanhola EFE e não utilizava o verbo ameaçar, foi o jornal quem o usou para seu título e subtítulo.

ATRIBUIR-SE A OPINIÃO PÚBLICA

Assim como os meios de comunicação gostam de se apresentar como o simples reflexo da realidade quanto à sua cobertura informativa, quando opinam ou editorializam tentam dar a entender aos cidadãos que essa opinião ou posição ideológica é apenas um reflexo do sentimento majoritário, “um clamor”, como costumam assinalar com frequência. trata-se de um claro exemplo de covardia intelectual e de engano do público, uma vez que não o anunciam como seu próprio ideário ou proposta política, mas sim tentam fazer-nos acreditar que é o cidadão que participa dessa posição e exige ações, sem que existam elementos informativos rigorosos que os sustentem. lembro de um diretor de jornal que quando queria denunciar um caso de corrupção, por mínimo que fosse, ou pedir um determinado investimento em infraestrutura para a Administração, escolhia manchetes como “Um clamor do povo se indigna pelo caso…” ou “Um clamor exige um novo trilho da estrada de la Coruña”.

Evidentemente, quando se saía à rua não se via o clamor, que só existia na cabeça do diretor do jornal. Um jornal venezuelano destacava que os turcos estavam preocupados por ter um presidente islâmico duas semanas após terem votado nele por maioria. O único que estava preocupado era o diretor do jornal venezuelano; os turcos se preocupavam em ter outro diferente do que votaram. o jornal espanhol El mundo tem uma seção denominada Vox Populi, e ali escolhem figuras públicas que sobem ou descem. Mas na seção não consultam ninguém para detectar essa “voz popular”: simplesmente aplaudem ou vaiam, em nome de toda a sociedade, os personagens que eles decidem. Esse hábito é uma distorção da realidade, isto é, um engano, porque indicam para os cidadãos qual é a sensação ou a opinião generalizada diante de determinado fato, e não é verdade, é apenas a linha editorial do meio.

A pretensão de identificar o interesse público com os interesses do grupo editorial que dirige um meio de comunicação é um objetivo prioritário porque será a via com a qual tentarão nos infundir a sua legitimidade como aproveitadores do direito de informar.

O ETNOCENTRISMO E AS HIERARQUIAS

O escritor uruguaio Eduardo Galeano denunciou diversas vezes o controle que os países do norte mantém sobre a informação: “A maioria das notícias que o mundo recebe é proveniente da minoria da humanidade e a ela se dirige. Isso é muito compreensível do ponto de vista das agências, empresas comerciais dedicadas à venda de informações, que recolhem na Europa e nos Estados Unidos a parte do leão de suas receitas. Um monólogo do norte do mundo: as demais regiões e países recebem pouca ou nenhuma atenção, salvo em caso de guerra ou catástrofe, e muitas vezes os jornalistas, que transmitem o que acontece, não falam a língua do lugar nem têm a menor ideia da história nem da cultura local. A informação que difundem costuma ser duvidosa e, em alguns casos, claramente mentirosa.”

POR TRÁS DOS LÍDERES

Como disse o jornalista norte-americano David Schecher, os meios só vão atrás dos carros oficiais. Um exemplo foi a visita do presidente Bush à Guatemala em março de 2007. Enquanto a imprensa informava de maneira diligente que o livre comércio aumentaria as oportunidades, proporcionaria empregos e ajudaria o povo a sair da pobreza, silenciava que, a menos de 15 quilômetros do local em que Bush discursava, havia uma fábrica de processamento de comida onde trabalhavam em condições deploráveis menores de 13 anos.

Enquanto os meios divulgavam suas informações sobre o Congresso da língua Espanhola, repleto de acadêmicos e líderes políticos, que foi celebrado em março de 2007 na cidade colombiana de Cartagena das Índias, se esqueceram de que a poucos metros do luxuoso bairro do evento, havia meio milhão de pobres, um bairro imenso de desabrigados chamado Nelson mandela e com um galopante turismo sexual, inclusive pedofilia. Conforme um enviado relatava em uma breve nota: até pouco tempo, nos documentos de registro do Hotel Hilton, constava um item que o hóspede tinha que assinar ao chegar e no qual se podia ler: “o hóspede aceita o princípio de que a prostituição infantil é um crime neste país”. mas a notícia era a nova edição do Quixote que se apresentava no Congresso.

É comum comprovar que os meios dedicam mais tempo à visita de um presidente ao lugar de uma catástrofe que a informar sobre a própria catástrofe. É uma perversão absoluta porque se, por exemplo, houve uma inundação com 100 mortos, essa é a notícia e deve ser de igual importância tanto se o presidente do país de desloca ao lugar como se não o faz. Os altos cargos políticos sabem que suas promessas e anúncios em reuniões e encontros internacionais terão todo o eco nos meios de comunicação e que esses mesmos meios não se preocuparão dentro de seis meses ou um ano em perguntar qual é o grau de cumprimento. De modo que não nos estarão informando do que acontece no mundo – cumprimento das promessas – mas sim das declarações de intenções dos líderes, que não são acontecimentos, mas sim apenas palavras.

SILÊNCIO COM AS MARCAS

O poder das empresas comerciais é fundamental na apresentação das notícias, e já vimos isto em um dos filtros que se aplicam às notícias de acordo com o estudo de Chomsky e s. Herman. Uma das evidências de sua influência é  comprovar que não são citados os nomes comerciais dessas empresas quando elas são objeto de alguma informação que não se pode ocultar. Na Espanha, foi notícia em 2007 uma operação policial que “libertava” 91 trabalhadores portugueses que estavam em condições de semiescravidão em Navarra. A reportagem afirmava que “o surpreendente foi comprovar que entre as empresas responsáveis, estavam uma multinacional, uma conservadora de pescado de certa grandeza e um fabricante de vinhos de renome que agora teme pelo seu bom nome”. O jornalista não se atreveu a citar nem uma única empresa. Para observar até onde pode chegar a influência das empresas sobre os conteúdos, temos este exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos com uma informação sobre produtos dietéticos. Em 8 de fevereiro de 2000, o programa 20/20 da rede ABC divulgou uma história assinada por John stossel na qual se afirmava que os produtos que podem ser comprados em lojas de alimentos orgânicos e dietéticos não são mais seguros que a comida adquirida em supermercados convencionais. o jornalista afirmou que as provas conseguidas pela rede de televisão norte-americana demonstraram que a comida comprada nas lojas naturistas continha taxas superiores de contaminação bacteriana e de pesticidas.

coca cola rato

Uma investigação do grupo ecologista Environmental Working Group revelou que as análises citadas na reportagem nunca foram feitas. Havia a circunstância de que não era a primeira vez que se levantava sobre esse jornalista a suspeita de defender os interesses das grandes empresas.

E enquanto difundem falsas notícias com base em estudos que também são falsos, as grandes marcas colocam como informação conteúdos que são apenas publicidade.

Em 16 de agosto de 2006, soube-se que nos Estados Unidos quase 80 canais de televisão poderiam ter difundido propaganda corporativa paga disfarçada de notícia. Os canais estavam espalhados por 30 estados e afiliados às quatro redes mais importantes: ABC, CBS, NBC e FOX. muitas das emissoras são de propriedade de algumas das maiores empresas de mídia do país, como Clear Channel, News Corp, Viacom, The Tribune Company e Sinclair Broadcast. As empresas que financiam a publicação de notícias em vídeo incluem firmas tão relevantes como General Motors, Intel e Pfizer.

O FALSO PLURALISMO

O jornalismo, mesmo quando quer aparentar pluralidade, continua sem nos explicar a realidade. Acontece porque em muitas ocasiões não se investiga a verdade, nem se considera importante fazê-lo. O modelo atual de informação acredita que recolher todos os elementos de uma notícia é apresentar as diferentes versões interessadas. Por isso, uma apresentadora de televisão pode informar sobre um derramamento de combustível procedente de um barco encalhado em Algeciras e dizer que, de acordo com quem mede, em referência ao governo ou aos ecologistas, chega a um ou três quilômetros da costa.

A obsessão por aparentar equilíbrio pode levar a iniciativas absurdas como a do senado romeno que aprovou por unanimidade que na imprensa deve haver obrigatoriamente um equilíbrio entre o positivo e o negativo em suas notícias.

Mas existe outra pluralidade ainda mais falsa: a ideológica. os meios apresentam polêmicas e debates que não são reais porque sempre se mantêm em coordenadas que não afetam o essencial. o leitor ou as audiências acreditam estar assistindo a uma discussão que mostra a pluralidade e uma riqueza de opiniões que comprovam a grandeza da liberdade de expressão, mas estão sendo enganados com uma discussão que se mantém em um espectro ideológico e de cenários muito limitados.

Vejamos algum exemplo. Diante da intervenção dos Estados Unidos no Iraque ou no Afeganistão, podemos assistir a um debate que se move entre as posições dos que consideram que os EUA estão em condições de levar a democracia a esses países ou os que afirmam que o custo em vidas e guerra é muito alto e não vale a pena continuar com a presença militar.

Essa lógica dá como certo que as intenções da intervenção militar são louváveis (defesa dos direitos humanos, levar a democracia), e outros cenários mentais, como pensar que o objetivo da guerra é o controle dos recursos ou o fortalecimento da hegemonia norte-americana e israelense, são ignoradas. A interpretação bondosa dos objetivos da intervenção militar com certeza também foi, em seu tempo, um argumento do Império romano, de Napoleão ou da União soviética, e nenhuma análise geopolítica hoje o considerará válido. Entretanto, nas intervenções militares atuais, a teoria que é invalidada é a que hoje temos por certa sobre as guerras de outras épocas.

Também é comum dar uma imagem de equidistância que, ao se apresentar sem os elementos de contexto necessários, supõe a impunidade para uma das partes. A BBC apresentou “uma história de violência entre as forças indonésias e as guerrilhas timorenses” com tamanha neutralidade que impedia ao público interpretar que se tratava de uma população que enfrentava um exército invasor que já havia massacrado 200 mil timorenses. Um livro de história apresentaria a frança de 1942 como uma crônica de violência entre forças alemãs e guerrilhas francesas, ou diria que a frança fora invadida pelo exército nazista contra o qual enfrentava a resistência francesa?

FONTES E ANALISTAS

A média do número de fontes – entidade, base de dados, pessoas consultadas para elaborar uma informação – nos informativos de rádio e televisão das  principais redes espanholas não chega sequer a um. O número é 0,71 fontes por notícia (o plural em “fonte” nesse caso, obviamente, resulta retórico). Se consideramos por separado os informativos de televisão, a média é ainda mais baixa. A emissora mais bem posicionada é a TVE, que oferece um pouco a mais de média-fonte por peça (0,57). Em conclusão: como muito, em uma notícia, se escuta o que alguém diz e simplesmente se considera isso suficiente.

No item do Iraque, veremos os mecanismos por meio dos quais os lobbies a favor da guerra conseguiram influir massivamente nos meios de comunicação, em especial os estadunidenses. Igualmente, quando tratamos o caso de Cuba, também serão repassadas todas as organizações e instituições culturais que, a modo de resíduo da Guerra fria, continuam operando para influir nos conteúdos com o objetivo de condicionar uma visão negativa da ilha. o papel dos lobbies e grupos de poder não é denunciado somente por parte de posições da esquerda radical, inclusive o linguista estadunidense George lakoff, situado no entorno do Partido democrata, que o expressa assim de claro:

“os think tanks mais importantes participam massivamente nos meios de comunicação a todo o momento; por exemplo, na rádio e na televisão. oitenta por cento dos apresentadores que aparecem na televisão estadunidense são conservadores, muitos pertencentes a esses think tanks. todos têm um grande treinamento no uso dos meios, e também na utilização da linguagem.

Há casos em que a metade do orçamento de um desses grandes institutos pode ser dedicada a fazer com que suas ideias apareçam nos meios. Há também agentes contratados para colocar os investigadores deste ou daquele instituto em programas de rádio e televisão, assim como para publicar os seus livros.”

É fundamental ver qual nível de neutralidade podem ter os analistas aos quais se recorre. Assim podemos comprovar que uma reportagem da Reuters titulada “mercados mexicanos. o que dizem os analistas?” baseia-se em três analistas. mas nem sequer são pessoas físicas. Um é o BBVA Bancomer,

Outro é o grupo financeiro IXE, e o terceiro o banco de investimentos de Dresdner Dank AG. é evidente a pluralidade da análise, a representatividade que têm e os interesses aos quais são devidas as suas conclusões. Inclusive a enciclopédia

Encarta reconhece como fonte para muitos de seus artigos a própria CIA.

SILÊNCIO / PRIMEIRA PÁGINA

Tal como estabelecem os estudiosos da teoria da agenda setting, os meios aplicam a política informativa de silêncio/primeira página, conforme tenham interesse ou não em que um assunto faça parte da agenda política ou social.

Se forem observadas as pesquisas do Centro de Pesquisas sociológicas espanhol, será possível comprovar que as respostas à pergunta “Problemas principais da Espanha” nunca concordam com as respostas a “Problemas que mais lhe afetam”.

Não é descabido pensar que a resposta à primeira pergunta possui mais elementos induzidos pelos meios de comunicação que a segunda. é essa a razão para que o terrorismo ou a imigração alcancem uma maior importância quando se pensa a respeito dos problemas da Espanha, mas não, entretanto, como problema que afeta a quem responde. Nesta segunda ocasião, os temas que ocupam posições são “os problemas de índole econômica” ou “a moradia”. sem dúvida, são os meios os que, com a sua política de agenda/primeira página, conseguem que o cidadão considere que é mais importante o terrorismo que a moradia.

A presença contínua de um país na agenda noticiosa transmite às audiências uma imagem de crise, conflito e instabilidade constantes, como o caso da Venezuela.

Enquanto o silenciamento das mobilizações sociais e das denúncias da oposição projetará entre a opinião pública a sensação de que nesse país tudo vai bem. Basta comparar a cobertura informativa que a América Central tinha nos anos 80, quando as esquerdas armadas ameaçavam o poder, e a que existe agora. Pode-se argumentar que não tem comparação informativa uma situação de guerra como aquela e a de paz que existe atualmente. também esse conceito de guerra e paz é discutível; as organizações humanitárias e a Igreja católica indicaram em numerosas ocasiões que as mortes violentas por delinquência comum atualmente são mais numerosas que as baixas durante aquelas guerras. No entanto, existe o desejo de se projetar a situação atual como estável perante a comunidade internacional, por muitas pessoas que sejam as pessoas mortas diariamente nesta “paz”.

Antonio Campuzano recolhe algumas das conclusões de um estudo realizado sobre as páginas da seção Internacional do jornal El País dos 32 dias que vão de 3 de janeiro a 3 de fevereiro de 2008 (ambos inclusive). Deixando de lado o brutal protagonismo dos EUA que ocupou 27 por 100 do total em razão de suas eleições primárias, destaca a escassez de informação de importantes países do âmbito europeu como a Alemanha (na posição 23) ou a Rússia (na 15), e a mesma ausência de informação sobre países com imensas populações e economias emergentes como a China (posição 17), a Índia (29) e o Brasil (51). Pelo contrário, muita informação de outros países menos importantes, quanto à população e à economia, como são a Venezuela (9), Cuba (16) e a Bolívia (22).

É evidente que se tem mais interesse em trazer para agenda da crise a países como Cuba ou Bolívia que a Índia ou o Brasil, quando o seu peso informativo deveria ser maior. O resultado de toda essa metodologia, juntamente com outras muitas estratégias que ainda não abordamos, é que os meios de comunicação cumprem com grande eficácia a tarefa de aparentar que estão nos informando rápida e diligentemente a cada dia, a cada hora. Mas a sua função não é informar, mas sim desinformar, não fomentar a análise e o debate democrático, mas sim diluí-lo ou silenciá-lo. Não obstante, simulam preocupar-se muito por entregar-nos as notícias em nossas mãos e perante nossos olhos, fingindo dizer tanto quando estão dizendo tão pouco, oferecendo tantas calorias com tão poucos nutrientes. Se compreendemos isso, passamos de uma queixa impotente sobre o funcionamento da imprensa a uma análise radical de como os meios matam o paradigma dominante com tanta habilidade graças à desinformação. É o momento de dar um passeio pelo mundo e comprovar como estão refletidos em nossos meios de comunicação os acontecimentos internacionais sucedidos nos últimos anos.

Serão esses casos concretos os que nos permitirão valorar o abismo entre a realidade e o que pudemos ler na imprensa, ver a na televisão e escutar na rádio.

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Um pensamento sobre “15 coisas que você não sabia sobre “DESINFORMAÇÃO”

  1. […] O estudo de 2009 publicado em livro recebe o nome de Prêmio Censored 2009, e questiona como a mídia de todos os países do mundo atua em sincronia para censurar a divulgação de determinadas informações. Ou seja, a Universidade descobriu a existência de uma espécie de PIG mundial(leia também : 15 coisas que você não sabia sobre desinformação). […]

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