A linda greve dos garis no Rio

lixo-rio-de-janeiro

Por: Eduardo Schenberg
Estou comovido de ver, ao menos por alguns instantes, as entranhas da sociedade expostas de maneira tão brutal, tão crua, visceral.Uma simples greve jogou na cara de todos nós a fragilidade dos pilares que aparentemente sustentam uma civilização. Impossibilitou que continuemos a negar que na verdade esta civilização está ruindo, a passos largos, dada sua inconsciência quase que total sobre os processos ecológicos da vida planetária. Jogou na cara também a decrepitude do poder público. Escancarou a esquizofrenia e loucura dos governantes, completamente descolados da realidade. Lindo o sufocamento da elite-conservada-em-formol pela categoria social que mais despreza.
O feudo fede. Lindo ver o poder transformador da emergência de nossas próprias sombras na consciência coletiva.Lindo o mar de lixo nas ruas da outrora cidade maravilhosa afogando os consumistas em seus próprios dejetos. Belíssima engasgada do pensamento linear de que há um “lá fora” pra cada um jogar sua garrafinha, canudinho, tampinha, latinha, saquinho e plastiquinho a cada instante.

Poética a inconsciência se afogando no próprio Karma.

Se Maomé não foi ao Jardim Gramacho, o Jardim Gramacho foi a Maomé

 
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