O engatinhar da Inteligência Artificial

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O texto a seguir é um artigo de opinião em resposta à matéria “Estupidez artificial: o problema que ninguém anteviu” do jornal online El País. Para ler, clique aqui.

A inteligência artificial é, antes de mais nada, uma ferramenta. No entanto, a partir do momento que criamos robôs com as chamadas redes neurais, existe a possibilidade de acidentes. Acidentes porque, até o momento, as máquinas são incapazes de ter vontade própria.

As redes neurais atuam de forma a favorecer os estímulos certos e desfavorecer os errados. Para que possam “aprender”, usam de estímulos aleatórios, o que os levam a um sistema de tentativa e erro. Caso acidentalmente tenham o estímulo certo, o sistema o valida, e o faz ter mais chances de surgir dentre os aleatórios. E, todas as vezes que têm o errado, o valor é renegado e ele fica menos propenso de aparecer naquele conjunto. Estes estímulos, em sequências, podem sim causar acidentes, dependendo dos robôs. Mas uma “insurreição”, como muitos temem, acaba sendo improvável.

Os erros crassos cometidos por inteligência artificial são problemas que tendem a ser minimizados com o tempo. Deve-se considerar, também, o fator social envolvido em alguns dos casos. Como no caso do sistema de identificação da polícia dos EUA, que tende a identificar melhor os brancos do que os negros. O uso do banco de dados da polícia combinado com o fato de que estes sistemas são testados prioritariamente na identificação de indivíduos brancos pode levar a uma série de injustiças, o que agrava o quadro atual do racismo.

Existem projetos para criar computadores com estruturas semelhantes aos dos cérebros humanos. Apesar de serem, ainda, um sistema rudimentar, tem chance de se tornar um protótipo para futuros “cérebros maquinários”, caso prospere. Basicamente, robôs com consciência. Muitos e muitos debates éticos ainda serão levantados. Isso também sobre tudo que concerna a robótica. Vide os robôs sexuais super realistas sendo desenvolvidos. Diversos homens, sem pensar nos problemas que podem acarretar, tem seus olhos brilhando por robôs deste tipo. O livro “Manifesto Ciborgue“, de Donna Haraway, vai acabar se tornando o mais lido em um modelo de sociedade como este.

Como todas as ferramentas, a inteligência artificial depende de quem está usando e quais são suas intenções. Um programa que usa da inteligência artificial para jogar videogame, por exemplo, jamais vai fazer algo outro do que aquilo. Para garantir um melhor uso desta tecnologia, primeiro devemos nos desenvolver como seres humanos. Compaixão, ética, altruísmo e senso de comunidade devem ser alguns dos valores a serem aprimorados antes que possamos usar a inteligência artificial de forma segura e no seu potencial máximo.

 

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