Arquivo da categoria: Reflexões

O Wesley faria sucesso se não fosse Safadão?

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Você pode não ter escutado ainda, mas com certeza já ouviu falar do Wesley Safadão né?

Pra quem não conhece, segue: “Wesley Oliveira da Silva (Fortaleza, 6 de setembro de 1988), mais conhecido como Wesley Safadão, é um cantor, compositor, produtor e empresário brasileiro de forró.

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A partir do ano de 2007 passou a fazer shows em vários estados do Nordeste, e logo passou a ter projeção nacional, se apresentando em várias regiões do país.

Wesley Safadão já lançou oito CDs e dois DVDs. Entre suas músicas mais tocadas estão: “Camarote”, “Vou Pagar pra Ver”, “Sou Ciumento Mesmo”, “Eu Tô de boa”, entre outras.[1] Atualmente, o cantor tem um dos cachês mais caros do Brasil, juntamente com Jorge & Mateus e Ivete Sangalo.”[Fonte: WIKIPEDIA].

Agora voltando, Wesley o Safado, faria tanto sucesso se fosse Wesley Bonzinho ou Wesley Certinho? Convenhamos, “Safadão” tem relação com ser fodão, pegador, ser o maioral e popular, ou seja, o próprio nome já faz o marketing.
Enquanto que ser “Bonzinho” ou “Certinho”, são sinônimos de ser trouxa, o que sempre é passado para trás e que não tem voz ativa.

O Wesley Safadão reproduz muito bem como é a nossa sociedade, não é uma crítica moralista, como pode parecer, mas apenas uma constatação que o “Safado” atrai muito mais os olhares por ousar ser diferente e transgredir as normas que o certinho não tem coragem de fazer, no fundo no fundo é o que muitos desejam ser.

Por: Kojiro

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Enfermeira revela os 5 maiores arrependimentos das pessoas em seus leitos de morte

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Por muitos anos eu trabalhei em cuidados paliativos. Meus pacientes eram aqueles que tinham ido para casa para morrer. Algumas experiências incrivelmente especiais foram compartilhadas. Eu estava com eles nos últimas três a doze semanas de suas vidas. As pessoas crescem muito quando eles são confrontados com a sua própria mortalidade.

Eu aprendi a nunca subestimar a capacidade de alguém para o seu crescimento. Algumas mudanças foram fenomenais. Cada um experimentou uma variedade de emoções, como esperado, negação, medo, raiva, remorso, mais negação e, finalmente, aceitação. Cada paciente encontrou sua paz antes deles partirem, cada um deles.
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O Voyeurismo Digital

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Por: Diego Horta

O mundo moderno em qual vivemos, criou uma nova vida social e com ela, novos paradigmas, barreiras, horizontes e conceitos. Passamos mais tempo conectados com um mundo digital ou invés do real.

Hoje existe uma enorme exposição de sua intimidade e cotidiano, criamos: seguidores, curtidores e compartilhamentos. Com o mundo moderno criamos então um novo tipo de Voyeurismo o Voyeurismo Digital.

A palavra Voyeur vem da língua francesa que descreve uma pessoa que obtém prazer ao observar atos sexuais ou praticas intimas de outras pessoas. Podemos então interpretar que ‘praticas intimas’ seja esta exposição desenfreada que a pessoa sente ao falar do seu intimo ou particular em redes socais. Assim, criamos o ato de observar esta exposição, tornamos stalkers do que o outro pensou e ou postou, sentimos prazer ao saber da vida do próximo do que na vida própria.

O entendimento da busca do voyeurismo digital é a simples fuga negando a realidade a qual vive, bloqueando problemas reais e criando nova realidade.

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A busca pela felicidade em um mundo individualista!?

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Por: Diego Horta

Desde que o mundo é mundo, buscamos nossa “felicidade” desde os primórdios, sejam elas: profissionais, pessoais ou sexuais. Hoje deparamos com um mundo onde o “pessimismo” ao negativo impera e nunca se ouviu inúmeros discursos da busca pela felicidade.

A felicidade pode-se ser compreendia como empírica e ou adquirida, quando John Stuart Mill escrevia sobre o Utilitarismo, ele afirma que: “Felicidade, entende-se o prazer e a ausência de dor; por infelicidade, e a dor e a privação de prazer”.

Porém o entendimento de felicidade é individual, o que é bom para um pode-se não ser bom para seu semelhante, e vice-versa.

Ainda usando o pensamento de Mill, a felicidade pode ser interpretada como algo “Intuitivo” e “adquirido”, Mill interpretava que o a felicidade intuitiva seriam os prazeres sexuais e os adquiridos, seriam as faculdades mentais.

Embora a busca pela felicidade possa ser individual, sua intensidade é que determina quanto importante para sua conquista.

Uma pessoa com pouco estudo pode satisfazer-se com pouco e ser mais feliz cujo aquele proveniente de um ‘intelecto maior’? Ainda usando o pensamento utilitarista, Mill afirmava que: “Melhor seria um homem insatisfeito que um porco satisfeito”, “melhor ser Sócrates insatisfeito do que um tolo satisfeito”. Contentar-se com pouco desqualificaria o ser? Ou o ato de conforma-se com sua realidade e não buscar sua felicidade seria um equívoco?

O bem maior que temos é a nossa felicidade, algo que não tocamos porém sentimos. Desde que o homem entende-se por homem vem a sua busca, como já abordado a felicidade pode ser empírica ou adquirida. A forma empírica vem dos costumes: sociais, familiares ou religiosos.

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Quando desistir torna-se um ato de coragem

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Aprendemos desde criança que a persistência é uma grande qualidade a ser desenvolvida e praticada. Quem não se lembra daquele jargão “sou brasileiro e não desisto nunca”?!?

Normalmente o ato de desistir é visto por muitos como uma fraqueza. Mas entendo que em algumas situações pode ser visto sim, como um ato de coragem.

Por exemplo, imagine um casal que tenta por inúmeras vezes reatar um relacionamento conturbado, no começo dá certo, mas em seguida eles acabam terminando, e, assim permanecem nesse ciclo vicioso. Nesse caso é preciso ter coragem para admitir que o relacionamento não está mais dando certo e terminar de fato.
Outro exemplo, é do funcionário que está há anos numa empresa esperando o seu tão sonhado aumento ou promoção, ele se esforça, mas não tem jeito não há espaço para ele, será que não é o momento de se planejar para sair dessa situação e mudar de emprego?

Ás vezes persistimos não por sermos corajosos e destemidos, mas sim, para mascarar/esconder o nosso medo de mudança, aí sim, persistir nesses casos pode ser visto como um ato de covardia e não de coragem.

Por: Kojiro

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Aos brasileiros que esperam um líder

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Nas minhas reflexões introspectivas, entro em questionamentos sobre nossa sociedade que aguarda um líder. OH SIM,um líder, pronto pra bater de frente com o sistema sozinho ou usando a massa que não despertou seu lado de liderança e acaba virando massa de manobra. Porque afinal de contas quem quer arriscar suas vidas, acomodadas, a se levantar contra o opressor? Nas condições que foi educado, conheço poucos e esses despertaram e são lideres e não seguidores. O país espera alguém que se disponibilize a levar um tiro?Alguém que possa falar por milhões de pessoas? Mais elas o seguiram até a hora de sua morte depois elas tornam a adormecer e esperar seja quantos anos for até que alguém use o cérebro e se levante como líder. São tantas as ligações que levam o ser humano no mundo que vivemos a apenas SEGUIR que se torna um condicionamento para se manter como foram doutrinados a ser pela Elite mundial, como gados.

De nada serve entrar numa luta por mudanças se você não despertar o líder dentro de você. Mentes liderantes que trabalham em grupo não seguem ninguém, cada um sabe sua função dentro do circulo coletivo de revolucionários, chega a ser sim individual, mais a união de lideres em prol de um objetivo faz a força. Seguir uma pessoa é obedecer suas regras e isso nos faz continuar sendo escravos, apenas obedecemos e não temos opinião própria, estamos lá aguardando as ordens do corajoso(a) salvador(a). E, quando o líder for morto quem tomará a frente se todos estão seguindo?Se todo grupo fosse formado por lideres, não teríamos que esperar tanto alguém se encher de coragem e ir a luta, com consequência ele atrairá seguidores sim, que se sentem protegidos perto do líder, mais muitas das vezes na historia, depois da morte o povo fica sem direção, foi assim com o seguidores de Martin Luther King e Gandhi.

Esperar um Messias é o mesmo que ficar sentado e esperar ficar rico, esperar o grande amor sem se mexer. É necessário sair da condição de subserviente e passar a se capacitar como líder. É uma destruição que exige aceitação de suas condições pra poder mudar a si mesmo internamente sem as barreiras psicológicas do orgulho, assumir que fomos ensinados a apenas seguir e querer mudar isso agora, é um grande passo para se transformar num líder, a aceitação em primeiro lugar e a auto-análise pra saber por onde caminhar, todos temos um líder dentro de nós, é necessário paciência pra nos auto-capacitarmos. Há líderes que querem seguidores, a líderes que só trabalham com líderes e a líderes solitários que tem uma militância/ativismo individual porque não querem seguir ninguém, é válido, mais tem um tipo líder frustrado, aquele que quer ter poder sobre os outros e ter seguidores.

Como Afro-descendente que sou tenho como inspiração o Partido dos Panteras pretas que atuou de 1966-1982, fundado por Huey Newton e Bobby Seale, foi um grande exemplo de coletivo que não criava gados e sim lideres, cada um fazia sua parte e usava ser potencial pra fortalecer e ajudar os guetos dos Estados Unidos, se houvesse irmãos ou irmãs que sabiam sobre leis isso era passado para a comunidade, se houvesse professores existiam escolas que ensinavam crianças sua história, todos se ajudavam, eles também sentiam a segregação racial daquele tempo.

Aqui no Brasil, há um grande exemplo de militância que é feita de forma individual e observada a anos pelo povo da favela, seu nome é Carlos Eduardo Taddeo ou Eduardo o locutor do inferno como também é conhecido, ex-facção central,do grupo de rap (ritmo e poesia) que inspirou muitos com suas letras, a maioria das composições vindas do Eduardo, que despertou muitos, Eduardo consegue inspirar uma geração que nunca foi induzida a obedecê-lo mais inspirada a se transformarem em líderes e lutarem pela suas quebradas e contra o sistema. Ele também escreveu um livro (A guerra não declarada na visão de um favelado) onde injeta estímulo dentro do favelado a lutar e se organizar.

É necessário o leitor entender que de forma coletiva ou individual somos fortes e capazes de criar mudanças, tudo depende da nossa auto-estima e condição mental, eu escrevo isso de vocês, com crença que você leitor vá se mover porque o mundo necessita de líderes pra mudar o mundo e não de um só lideres frustrados e seu gado carente e dependente. Já imaginou em um país como o Brasil cheio de lideres usando seu potencial seja você advogado, cantor, pintor, escritor, usando isso em condição de liderança pra mudar o seu circulo de vivência? Eu acredito em você, acredite em você.

Autor: Oba Ògún Omowale

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Ainda somos escravos?

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Por: Fernanda Rossi

John Lennon disse certa vez que “a mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem.” Esta frase me levou na pensar na escravidão do mundo, lembrei de que a Bíblia diz que somos escravos do pecado, a psicologia que somos escravos de nossos impulsos, a publicidade que somos escravos da mídia, os relacionamentos que somos escravos de um tal jeito certo de amar, o trabalho de que precisamos dele para viver, e assim vai por uma lista interminável que nos mostra que não somos na verdade donos de nós mesmos. É uma afirmação incômoda. Entretanto, realista.

Num mundo com tantas possibilidades, numa era em que rapidamente estamos conectados com tudo e com todos que queremos, em que o saber é tão aberto, a sensação de liberdade é imensa. Mas será real?

Há uma moda dita como adequada, há a rede social dita como melhor, há a escola mais prestigiada, o jornal mais lido, os lugares mais Pops, a turma mais VIP, e não fazer parte destes grupos nos leva a uma sensação de deslocamento. Podemos escolher outras coisas, mas somos respeitados quando o fazemos?

Sinceramente creio que não. Quem esta à volta, em geral, nos diz o que seria melhor no vestir, no falar, enfim no agir.

Ser escravo é não ser dono de suas próprias vontades. É ter que obedecer ao desejo do outro. E este outro pode ser aquele que mora dentro de nós, o seu ego, que está tão ligado a conceitos e preconceitos com os quais foi criado (pela família e sociedade) que não consegue pensar sozinho. Que a capacidade de analisar o por quê de seus atos fica limitada a resposta que adolescentes dão: “todo mundo faz”, “todo mundo vai”. E que os pais respondem (pelo menos os meus respondiam): “e é o que você quer?”.

Esta pergunta é importantíssima.  Entender e respeitar o que você quer, é que faz toda a diferença. Criticas virão de qualquer jeito – sempre alguém terá uma ideia dita como melhor –  contudo, se for para errar que se erre por algo que você vê sentido, por algo que realmente quer e acredita! Alias, ser maduro é isto: escolher por si mesmo e se responsabilizar pelas conseqüências, sejam elas quais forem.

Fonte: http://blogs.odiario.com/fernandarossi

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Demissões em massa são os novos pelourinhos do século XXI

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Cerca de 42 metroviários de São Paulo foram demitidos por justa causa na data de ontem (09/06).  A demissão em massa de parte dos trabalhadores que estavam em greve tem a mesma função das chicotadas dadas nos escravos através dos pelourinhos.

O termo “pelourinho” é o nome dado ao local onde os escravos eram castigados pelos senhores de engenho. O “pelourinho” era construído nos engenhos mas também existiam nos centros das cidades. A partir daí os escravos eram castigados em praça pública para que todos pudessem assistir tal demonstração de poder. Os escravos dissidentes que não respeitassem as ordens dos seus senhores eram chicoteados aos olhos de todos para que servissem de exemplo aos demais.

O que se viu ontem nessa leva inicial de demissões dos metroviários grevistas, é justamente isso, a demissão em massa como forma de punição, serviu para intimidar a categoria e também qualquer outra que tente se rebelar. O agente Bruno Everton, de 27 anos, há dois no Metrô recebeu o telegrama informando seu desligamento no fim da manhã desta segunda. “Eu sou da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e estou no 10º mês de mandato. Não posso ser demitido” afirmou. “O governo negociou com o cassetete na mão. Nossa demissão é política. Ele decidiu cortar as cabeças para estancar o movimento”, disse ele, na sede do sindicato, enquanto aguardava o início da assembléia.

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Ocorre, que a humilhação que antes era vista por algumas dezenas de pessoas nas praças públicas, agora possui toda a mídia alardeando a punição aos quatro ventos.

Por: Kojiro

Fonte: Circuito MT

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Gosta de sair de férias, mas é contra as greves?

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Aproveitando a visibilidade da Copa, muitos trabalhadores entraram em estado de greve. Para alguns trata-se de oportunismo, já eu vejo como um ato de inteligência.

A greve deve ser um ato de pressão, quando feita num momento de grande relevância e visibilidade é um trunfo para os trabalhadores conquistarem as suas reivindicações. Assim aconteceu com os motoristas de ônibus de São Paulo, com os garis da cidade do Rio de Janeiro, com os professores municipais e metroviários de São Paulo, mais outras tantas categorias de trabalhadores no Brasil que resolveram cruzar os braços. Como demonstro no texto, sou sim a favor das greves, a greve deve sim causar transtornos, caso contrário não seria uma forma de pressionar o empresariado ou governo. Logicamente que setores fundamentais como Saúde, Transporte e Segurança devem manter um contingente mínimo de operação, a fim de diminuir o sofrimento daqueles que mais necessitam desses atendimentos.

Já escutei muitas pessoas dizendo, “Ah mas quando a pessoa assinou o contrato ela já sabia quanto ia ganhar”“Poxa, vai fazer greve por quê? Deveriam procurar um emprego melhor, simples assim”. Pessoas que falam dessa forma deveriam abdicar de saírem de férias, do 13º salário, não deveriam receber o fundo de garantia, seguro desemprego, ah e aproveitando rasguem as suas carteiras de  trabalho, pois todas essas e outras conquistas dos trabalhadores foram conquistadas com muitas greves e luta nas ruas.

A classe trabalhadora só obterá sucesso se unindo e se organizado permanentemente com ou sem o auxílio dos sindicatos.

Todo apoio aos grevistas do Brasil.

Por: Kojiro

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Tiro, porrada e bomba na Copa e Processo Penal: o perímetro FIFA e guerra contra o outro em nome da segurança

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Por Alexandre Morais da Rosa e Salah H. Khaled Jr.

Talvez a Copa do Mundo seja o momento na história recente em que vejamos mais policiais, militares, guardas municipais e segurança privada nas ruas, nas favelas e no senado.  Em alguns locais “garantindo” segurança e noutros reprimindo de forma brutal em nome da ordem e do controle. 

Para Agamben, “a segurança está entre aquelas palavras com sentidos tão abrangentes que nós nem prestamos mais muita atenção ao que ela significa. Erigido como prioridade política, esse apelo à manutenção da ordem muda constantemente seu pretexto (a subversão política, o terrorismo…), mas nunca seu propósito: governar as populações”.

É como tática de governo e sujeição da população que dita face forte do Estado estará nas ruas, de forma quase onipresente, ao menos no que diz respeito a certos espaços privilegiados de circulação. Estamos diante de algo inusitado: uma entidade alienígena conclama para si parcela significativa do território nacional. Neste espaço amplamente televisionado, prosperará um Brasil civilizado, ordeiro, subserviente e, acima de tudo, festivo. O propósito do perímetro civilizatório é claro: manter os subversivos do lado de fora, enquanto um espaço higienizado é conforme a ordem é mantido no lado de dentro. Em suma, tudo que o padrão FIFA impõe à estética do produto por eles comercializado.

Mas na margem, a barbárie impera: os excluídos exigem inclusão, em sentidos que estão para muito além do bordão “quero padrão FIFA na saúde e na educação”. O ruído dos protestos ameaça o cortejo triunfal do progresso: os diferentes anunciam sem constrangimento que a invasão bárbara está em curso e, enquanto isso, contra ela é montada uma estrutura de repressão como nunca se viu. Para quem tentar penetrar indevidamente neste espaço privilegiado, tratamento especial está reservado: tiro, porrada e bomba na plebe. O Robocop está prestes a entrar em ação de forma implacável e fundamentalmente contra o povão. E tudo isso em nome da segurança… de quem, para quem, contra quem?

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