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Gosta de sair de férias, mas é contra as greves?

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Aproveitando a visibilidade da Copa, muitos trabalhadores entraram em estado de greve. Para alguns trata-se de oportunismo, já eu vejo como um ato de inteligência.

A greve deve ser um ato de pressão, quando feita num momento de grande relevância e visibilidade é um trunfo para os trabalhadores conquistarem as suas reivindicações. Assim aconteceu com os motoristas de ônibus de São Paulo, com os garis da cidade do Rio de Janeiro, com os professores municipais e metroviários de São Paulo, mais outras tantas categorias de trabalhadores no Brasil que resolveram cruzar os braços. Como demonstro no texto, sou sim a favor das greves, a greve deve sim causar transtornos, caso contrário não seria uma forma de pressionar o empresariado ou governo. Logicamente que setores fundamentais como Saúde, Transporte e Segurança devem manter um contingente mínimo de operação, a fim de diminuir o sofrimento daqueles que mais necessitam desses atendimentos.

Já escutei muitas pessoas dizendo, “Ah mas quando a pessoa assinou o contrato ela já sabia quanto ia ganhar”“Poxa, vai fazer greve por quê? Deveriam procurar um emprego melhor, simples assim”. Pessoas que falam dessa forma deveriam abdicar de saírem de férias, do 13º salário, não deveriam receber o fundo de garantia, seguro desemprego, ah e aproveitando rasguem as suas carteiras de  trabalho, pois todas essas e outras conquistas dos trabalhadores foram conquistadas com muitas greves e luta nas ruas.

A classe trabalhadora só obterá sucesso se unindo e se organizado permanentemente com ou sem o auxílio dos sindicatos.

Todo apoio aos grevistas do Brasil.

Por: Kojiro

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A linda greve dos garis no Rio

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Por: Eduardo Schenberg
Estou comovido de ver, ao menos por alguns instantes, as entranhas da sociedade expostas de maneira tão brutal, tão crua, visceral.Uma simples greve jogou na cara de todos nós a fragilidade dos pilares que aparentemente sustentam uma civilização. Impossibilitou que continuemos a negar que na verdade esta civilização está ruindo, a passos largos, dada sua inconsciência quase que total sobre os processos ecológicos da vida planetária. Jogou na cara também a decrepitude do poder público. Escancarou a esquizofrenia e loucura dos governantes, completamente descolados da realidade. Lindo o sufocamento da elite-conservada-em-formol pela categoria social que mais despreza.
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Os Mineiros Nervosos da Espanha e Suas Bazucas Caseiras

Por Henry Langston

Por mais de um mês, os mineiros da província de Astúrias, norte da Espanha, estão numa greve que frequentemente irrompe em luta armada entre eles e a polícia. As razões por trás da greve? O novo governo conservador espanhol tem tentando gradualmente implantar políticas para tirar o meio de subsistência dos caras. Eles cortaram os subsídios da mineração sabendo que sem isso as minas terão que fechar. O governo também quebrou um acordo que ajudaria os mineiros que ficassem sem emprego. Como os homens que trabalham nas minas não conhecem outro jeito de sustentar suas famílias, eles não estão levando essas atitudes numa boa.

Sendo assim, acabei passando o dia 4 de julho na correria com algumas centenas de mineiros que ficaram na mina de Sotón nas Astúrias (nos anos 90, milhares de pessoas trabalhavam nesses poços). Eles usaram barricadas em chamas e lançadores de foguete caseiros para afastar os policiais da tropa de choque enviados para as montanhas para reprimir essa roda de pogo renegada.

Os mineiros reagiram à decisão do governo de destruir suas vidas bloqueando regularmente as rodovias e ferrovias que vão do centro de Astúrias até a capital, Madri. É uma batalha que vem sendo travada em loop há mais de um mês e é uma coisa bem estranha, já que enquanto os mineiros lutam por seu futuro, as autoridades encaram a questão simplesmente como uma disputa de tráfego (apesar disso já ter custado um olho para um dos policiais).

Existe a tentação de se comparar os confrontos com as greves de mineiros da Inglaterra, mas a realidade é muito diferente. Os confrontos podem até ter relação com os poços de mineração, mas por mais desordeira que fosse a turma de Arthur Scargill nos anos 80, eles nunca atacaram a polícia ou fura greves traiçoeiros com fogos de artifício, estilingues ou lançadores de foguetes improvisados com pedaços de canos velhos.

Os mineiros têm uma variedade de bazucas — as mais fortes usam uma carga explosiva para disparar enormes bolas esquisitas de golfe, mas só em veículos. Se eles atirassem uma dessas nos policiais, logo estariam no tribunal sendo julgados por homicídio. Apesar da barreira da linguagem, entendi que se a situação se deteriorar mais os mineiros podem considerar a possibilidade de voltar suas armas mais poderosas diretamente para a polícia. Mas eles realmente esperam não ter que chegar a esse ponto.
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